Faça com que criticar você seja seguro e natural para as pessoas

Conheça o conceito baseado na obra "Empatia Assertiva", de Kim Scott, e como ele pode se tornar o ponto chave para uma gestão de sucesso.
Compartilhar no linkedin
LinkedIn
Compartilhar no facebook
Facebook
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp

FIQUE POR DENTRO DAS NOSSAS NOVIDADES

Todos nós já nos deparamos com ambientes onde criticar algo parecia impossível, onde todos ao nosso redor pareciam gerenciar a autoimagem para que parecessem altamente produtivos, atarefados e, de certa forma, importantes para o negócio. Enquanto todo esse teatro acontece, a empresa vai estagnando… O mercado até parece bom e aquecido, mas por algum motivo vocês não conseguem mais se reinventar, não entregam mais valor para os acionistas e até mesmo os pilares fundadores já não são mais encontrados nos discursos e nas ações. Vocês não conseguem mais ser aquela empresa de dez anos atrás. O que houve? Desaprendemos a fazer esse negócio acontecer?

A revolução digital nos trouxe, além avanços incríveis na tecnologia e nas praticidades do cotidiano, desafios corporativos nunca vistos. Novos players ingressam em todos os mercados diariamente e os desafios que outrora se resumiam aos aspectos técnicos (maquinário mais moderno, software mais inteligente, produto com maior qualidade, etc) hoje se misturam com os gerenciais.

Não pense que gerencia é formada apenas por CEO’s, COO’s e CFO’s. A maioria dos cargos são de gerência média, ou seja, onde se é líder de um time ao mesmo tempo que também recebe uma liderança direta. É aqui que a magia acontece. As gerências de nível médio concentram o maior número de problemas de gestão, pois são cargos com senioridades menores e, geralmente, são novos líderes. São pessoas que estão lidando pela primeira vez com problemas de gente. Mas porque uma gerência média pode ser tão desastrosa para uma companhia?

A gerência média está mais próxima do que ninguém do produto final de seu negócio. Nesse contexto que mora o perigo. Imagine um cenário onde a alta gerência faz um trabalho impecável no planejamento para o ano vigente. Orçamento ajustado, metas desafiadoras e alta expectativa no crescimento do setor. A informação e, por conseguinte, as metas, descem escalonadas do topo até a base da cadeia hierárquica da companhia. Em seu nível, um gestor médio tem dificuldade em transformar todas as informações que recebeu em metas tangíveis para o seu time. Com isso, não consegue distribuir os desafios de acordo com as preferências de cada liderado e, o pior de tudo, não consegue explicar as decisões tomadas pela alta gerência. Será um fracasso, tanto para o time quanto para os clientes internos e externos que tiverem que lidar com essa equipe. Acreditem, o tamanho desse insucesso pode, e deverá, ser enorme.

Foi pensando nesse dilema gerencial e inspirada na sua própria carreira profissional que Kim Scott escreveu Empatia Assertiva (Radical Candor). O livro é uma espécie de manual para novos líderes aplicarem competências que não só desenvolvam suas equipes, mas a si próprios. Kim passou por empresas como Google, Apple e hoje é coach dos CEO’s do YouTube, Twitter e diversas outras companhias de tecnologia.

A empatia assertiva é o que acontece quando você combina as dimensões “importar-se pessoalmente” e “confrontar diretamente”.

Para entendimento, Kim desenvolve um diagrama simples, com quatro quadrantes e apenas duas dimensões, onde um líder pode analisar onde ele está no momento presente e para onde deseja se mover.

Nesse texto irei analisar cada aspecto do diagrama proposto por Kim Scott. Começaremos pelos eixos:

Não foi fornecido texto alternativo para esta imagem

Importe-se Pessoalmente – Reconheça que pessoas são múltiplas, possuem gostos e desejos diferentes. Todos temos uma vida pessoal e sonhos que vão muito além do nosso ambiente de trabalho. Separe um tempo na sua agenda para conversas francas sobre futuro e carreira, a fim de entender não só como gerenciar seu time, mas também o background de cada um. Em outras palavras, conheça cada passo que seu time já trilhou e qual direção cada um quer seguir. Porém não adianta apenas ouvir, deve-se também compartilhar para que essa troca seja recíproca e sincera. Divida com seu time o que te faz sair da cama e ir trabalhar todos os dias e questione o mesmo.

Confronte Diretamente – Mostre que você se importa suficientemente com eles indicando os pontos positivos e negativos de cada um para que possam trabalhar e se desenvolver. Admita que você erra, mas que seu empenho é em sempre os corrigir. Assuma que você também tem pontos a serem trabalhados e precisa da sua equipe tanto quanto ela precisa de você. Esse processo deve ser uma troca, uma relação de confiança mútua e aqui convém deixá-los iniciar o processo, lhe criticando e apontando suas atitudes que os desagradam. Desta forma, quando se sentirem confiantes para lhe criticar, entenderão que as suas críticas não passam de empenho em desenvolvê-los.

Com esses dois imperativos conseguiremos analisar mais a fundo cada quadrante e, assim, desenvolver a empatia assertiva.

Empatia Assertiva ConQuist

Insinceridade Manipuladora – Não perca a autenticidade. Não deixe que o medo de fazer e receber crítica lhe joguem em uma politicagem vazia, uma pura e simples gestão da imagem. Este quadrante é o pior de todos, pois você não se importa o suficiente com as pessoas ao seu redor para desenvolver um relacionamento empático e muito menos tem coragem de ser sincero com eles, apontando os erros e recebendo críticas também. Ficar neste quadrante a longo prazo não só afastará as pessoas, como também tirará qualquer sabor que o trabalho possa lhe trazer.

“Os russos gostam de contar a história de um sujeito que tinha de amputar a cauda de seu cachorro, mas gostava tanto dele que cortou a cauda um centímetro por dia em vez de uma vez só. O desejo daquele homem de poupar seu cão da dor e do sofrimento só levou a mais dor e sofrimento.”

Empatia Nociva – Grande parte dos erros de gestão acontecem nesse quadrante. Ao ter medo de gerar mágoas ou ressentimentos você acaba optando por não desenvolver a sua equipe, fazendo elogios vazios apenas para que todos se sintam bem. No longo prazo, quando os erros acontecerem e você não os pontuar, eles se multiplicarão. E quando você, cansado do baixo rendimento da sua equipe, tentar fazer algo, será como uma facada nas costas de cada um. Você nunca pontuou o que cada um deveria desenvolver. Como pode agora cobrar seu time, uma vez que não batem mais as metas e que os trabalhos não possuem a qualidade esperada?

Agressividade Ofensiva – Se você critica alguém sem demonstrar que se importa com ela e com todo o esforço que ela fez até o momento presente, esse feedback soará como agressividade ofensiva. Você até apontará os erros (o que é ótimo, pois permitirá que a sua equipe os trabalhe) mas não conseguirá gerar empatia e conexão segura o suficiente para que o time reconheça os pontos a serem desenvolvidos com calma e carinho pelo processo. Cada feedback parecerá mais uma punhalada nas costas do que um indicativo de direção. Isso provavelmente gerará ansiedade, nervosismo e insônia, que acompanharão seus liderados em cada véspera de uma conversa com você.

“Em uma cultura tóxica, as críticas são usadas como arma e não como ferramenta para o aprimoramento. Quem faz a crítica se sente poderoso, e quem a recebe se sente horrível. Até o elogio pode soar mais como sarcasmo do que como celebração de um trabalho bem-feito.”

Empatia Assertiva – Este é ponto chave para uma gestão de sucesso. Você desenvolveu sua equipe para receberem e darem feedbacks sinceros com frequência, mostrou que se importa pessoalmente com cada um deles e que será um parceiro no desenvolvimento profissional e pessoal de cada liderado seu. Neste ponto, suas críticas e elogios estão equilibrados e nenhum dos dois soa vazio ou infundado. Cada conversa é uma oportunidade de os empoderar e animá-los para cada desafio que virá.

Porém, desenvolver este último quadrante e, principalmente, se manter nele, não é uma tarefa fácil. Por isso Kim Scott desenvolveu uma metodologia simples para tornar esse processo cíclico e tangível para quem ainda não compreendeu a fundo como ser assertivamente empático.

Empatia Assertiva ConQuist

Ouvir – Comece sempre dando espaço para seus liderados falarem. Escute atentamente cada um deles e se mostre aberto para qualquer crítica ou sugestão.

Esclarecer – Demonstre que se importa com o que acabou de ouvir. Dê sua opinião e esclareça todas as dúvidas que seu time possa ter sobre você, sua gestão ou até mesmo as orientações da alta gerência, que talvez para eles não pareçam fazer sentido.

Debater – Agora que você ouviu e esclareceu, é a hora de começar a confrontar. Permita o debate e construa um ambiente seguro para que as pessoas possam se expressar, ao mesmo tempo em que são confrontadas, sem que isso seja algo negativo.

Decidir – Uma vez que todos foram ouvidos é a hora de tomar uma decisão. Se você apenas debater, essas conversas se tornarão sem sentido e as pessoas não se sentirão estimuladas a participar. Caso o assunto seja de sua responsabilidade, mostre que escutou a todos e que agora, com todas as ponderações, irá tomar sua decisão e comunicá-los. Caso outro membro da equipe seja dono do assunto, delegue a ele a responsabilidade de tomar a decisão.

Convencer – Esta é a hora de explicar o racional para o resto do time. Seja quem for o tomador de decisão, deve estar seguro o suficiente para compartilhar a informação com a equipe e engajá-los no desenvolvimento do que foi decidido.

Executar – Neste ponto, todos devem estar engajados em suas atividades e comprometidos com os resultados esperados. Por ser o momento mais difícil, e as vezes mais cansativo (é a parte mais operacional do trabalho), convém estar próximo e deixar sempre claro as metas e objetivos traçados.

Aprender – Uma vez entregue o trabalho, é hora de refletir sobre ele. Alcançamos o objetivo esperado? Conseguimos entregar no prazo? Quais foram os pontos mais complicados? E os mais simples? O que fugiu do planejado e teve que ser modificado ao longo do processo?

Ao fim desta etapa, reiniciamos o ciclo.

E aí, em qual quadrante do diagrama de Kim Scott você se enxerga nas suas relações no ambiente de trabalho? Como você desenvolve sua equipe e sua relação com seus líderes e liderados? Qual metodologia você aplica com sua equipe para alcançar a excelência?

Lembre-se de conhecer mais artigos como esse em nosso Laboratório de Inovação, o ConQuist Labs.

Um grande abraço.

Luiz Felipe Carrez

Compartilhar no linkedin
LinkedIn
Compartilhar no facebook
Facebook
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp

Recomendado para você