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Evolução da questão ambiental

Com a implantação da Revolução Industrial, por volta do ano de 1760, criou-se um novo modelo de sociedade baseado basicamente na produção e no consumo.

Esse modelo, foi incorporado a nossa cultura econômica e, embora, ao longo de todo esse tempo, se tenha buscado encontrar soluções mais adequadas para um desenvolvimento industrial sustentável, ainda é para nós, um grande desafio manter o equilíbrio entre a produção e a conservação ambiental em uma sociedade altamente consumista e praticamente dependente das atividades industriais e do consumo destes produtos.

          Através da Revolução Industrial, surgiram as primeiras reflexões sobre os danos causados pela industrialização sobre o meio ambiente, mas foi só no ano de 1962 que, Rachel Carson lançou seu primeiro livro sobre o uso indiscriminado de agrotóxicos, intitulado: “A primavera silenciosa” que se tornou um best-seller na luta pela ecologia e sustentabilidade. O livro tinha o intuito de alertar a população sobre os danos com a utilização abusiva de pesticidas químicos utilizados em plantações que interferiam no ecossistema local e na saúde de toda a população. O título faz alusão à ausência, na primavera, dos cantos dos pássaros mortos pelos pesticidas.

          Em 1972, em Estocolmo, na Suécia, a ONU organizou a primeira Conferência Mundial sobre o Homem e o Meio Ambiente das Nações Unidas, dando início aos debates em torno do tema.

          Em 1987 surge o primeiro conceito de sustentabilidade, devidamente formalizado no relatório Nosso Futuro Comum da ambientalista norueguesa Gro Brundtland, gerado pela Comissão Mundial do Meio Ambiente.

          O tema educação ambiental é abrangente e exige uma prática pedagógica interdisciplinar, em que o professor possa reconstruir esse conhecimento, fazendo uma abordagem das implicações teóricas que lhe dão fundamentos, explicitando a repercussão que a questão ambiental tem sobre a sociedade através dos movimentos ecológicos. No entanto, se torna necessário que essas discussões e a reflexão a respeito de tema, não se restringiram apenas ao aspecto da necessidade e a importância da educação ambiental, mas sim a uma análise mais profunda sobre essas implicações em nossas vidas.

          Para que a educação ambiental seja integrada às disciplinas do currículo, é preciso discutir sobre a escola que temos e a escola que queremos. Para que essa reflexão se dê necessário, será um minucioso exame das relações que a sociedade mantém com a natureza e das relações que os homens estabelecem entre si, criando um ciclo de ajuda mútua que, poderá atuar e intervir de maneira adequada, através do esclarecimento necessário sobre o tema, começando desde as classes mais baixas, até a formação de líderes conscientes e atuantes.

 

SAIBA MAIS:

No dia 5 de dezembro de 2017, as Nações Unidas declararam que, a Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável, seria realizada de 2021 a 2030. Essa Década, construirá uma estrutura comum para garantir que a ciência oceânica possa apoiar plenamente os países na implementação da Agenda 2030, para o Desenvolvimento Sustentável.

A Década proporcionará uma oportunidade única para se criar um novo alicerce, por meio da interface ciência política, para fortalecer a gestão dos nossos oceanos e zonas costeiras em benefício da humanidade.

A Década fortalecerá a cooperação internacional necessária para desenvolver pesquisas científicas e tecnologias inovadoras que sejam capazes de conectar a ciência oceânica com as necessidades da sociedade. Contribuirá também para os processos da ONU que, protegem o oceano e seus recursos, como as Metas de Aichi para a Biodiversidade, o Caminho de Samoa, a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar e o Marco de Sendai para a Redução do Risco de Desastres.

A Década exigirá o envolvimento de diversas partes interessadas para criar novas ideias, soluções, parcerias e aplicações, tais como: cientistas, governos, acadêmicos, formuladores de políticas, empresas, indústria e sociedade civil.

Bases do histórico ambiental no Brasil

Estamos na metade do século XIX e através de José Bonifácio de Andrada e Silva, naturalista, estadista e poeta luso-brasileiro, foram implantados movimentos ativistas de preservação do meio ambiente.

Segundo palavras do historiador José Augusto Pádua, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), pesquisador do tema: “José Bonifácio que, estudou leis e filosofia natural na Universidade de Coimbra, desempenhou um papel decisivo nos primórdios da consciência ambiental no Brasil. Seus escritos pautaram debates entre políticos, juristas e homens de ciência da época. Abolicionistas como Joaquim Nabuco (1849-1910) e André Rebouças (1838-1898) defenderam que, enquanto vigorasse a escravidão, não seria possível estabelecer uma relação saudável entre indivíduos e o uso da terra no Brasil.”.

          Nos diz ainda o historiador: “Ainda no Brasil, dando prosseguimento a essas ideias, um grupo de intelectuais criou um movimento, alertando ao governo e também a população de que o desflorestamento estava provocando secas na cidadeBoa parte da região havia sido desmatada para a produção de café e carvão vegetal, vivenciando os resquícios do Brasil colônia. Acatada a ideia pelo governo da época, o reflorestamento exigiu o plantio de 100 mil mudas de árvores de espécies nativas sendo, também, feita a restauração da Floresta da Tijuca, no Rio de Janeiro, entre os anos de 1861 e 1874.”.

          Segundo dados da mesma fonte, destaca-se também a atuação do botânico Paulo Campos Porto que, como diretor do Instituto de Biologia Vegetal do Ministério da Agricultura, ajudou a consolidar uma política de gestão da natureza enquanto responsável por aquela Instituição. Mais tarde, como secretário de Agricultura da Bahia, nos anos 1940, criou o Parque Monumento Nacional de Monte Pascoal, na região de Porto Seguro, com a missão de preservar a fauna e flora locais.

          Já o ano de 1960 foi primordial para a consolidação dessas discussões. Segundo a historiadora e ambientalista Samyra Crespo, pesquisadora Sênior do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI): “A discussão deixou de ser focada na promoção do uso racional de recursos naturais, abrindo espaço para reflexões sobre como salvar a humanidade e o planeta.”.

          Finalmente, a Constituição Cidadã de 1988, dedicou todo seu capítulo VI ao Meio Ambiente, constituindo-o em direito fundamental da coletividade.